Arritmia cardíaca: investigação de palpitações em Campos dos Goytacazes
Sentir o coração acelerar, falhar ou disparar do nada assusta — mas nem toda palpitação é doença, e nem toda arritmia perigosa é sentida pelo paciente.
Por Dr. Igor Francisco de Freitas · CRM-RJ 5295484-5 · RQE-RJ 61878 (Cardiologia) · Publicado em 2026-07-31 · Revisão médica em 2026-07-31
A investigação de arritmia depende de registrar o ritmo no momento do sintoma. Por isso a avaliação combina história clínica detalhada, eletrocardiograma, Holter de 24 horas ou monitorização prolongada e, quando necessário, ecocardiograma para verificar se existe doença estrutural por trás. A partir do que for documentado, define-se a conduta: apenas orientação e remoção de gatilhos, medicação, anticoagulação para prevenir AVC ou encaminhamento para estudo eletrofisiológico e ablação.
Sinais de alerta que exigem avaliação rápida
- Desmaio ou quase desmaio durante esforço físico.
- Palpitação acompanhada de dor no peito ou falta de ar importante.
- Episódios de coração acelerado que começam e terminam de forma abrupta.
- Pulso irregular percebido no aparelho de pressão ou no relógio.
- Histórico familiar de morte súbita antes dos 50 anos.
Fibrilação atrial e risco de AVC
A fibrilação atrial é a arritmia sustentada mais comum e frequentemente cursa sem sintoma. Sua maior consequência é o AVC, que pode ser prevenido com anticoagulação quando o risco calculado justifica. A decisão pesa idade, hipertensão, diabetes, insuficiência cardíaca, AVC prévio e risco de sangramento — nunca a intensidade do sintoma isoladamente.
Extrassístoles: quando são benignas
A sensação de batida falhada geralmente corresponde a extrassístoles. Em coração estruturalmente normal e em baixa quantidade, são benignas e melhoram ao reduzir café, energéticos, álcool, nicotina e privação de sono. Quando são muito frequentes ao Holter ou surgem em quem já tem doença cardíaca, a investigação precisa ir adiante — inclusive com imagem para descartar cicatriz no músculo cardíaco.
Exames usados na investigação
Eletrocardiograma, Holter de 24 horas ou de longa duração, teste ergométrico para arritmias relacionadas ao esforço, ecocardiograma e, em casos selecionados, ressonância cardíaca para avaliar fibrose. Nenhum desses exames é realizado no consultório: são indicados conforme o caso e interpretados na consulta, integrando o resultado ao seu quadro clínico.
Registros de smartwatch e de aparelhos domésticos são bem-vindos: traga capturas dos episódios, pois ajudam a orientar a investigação.
Perguntas frequentes
Palpitação sempre significa problema no coração?
Não. Ansiedade, anemia, alterações da tireoide, febre, cafeína e alguns medicamentos provocam palpitação com coração normal. A avaliação serve justamente para separar essas causas de uma arritmia verdadeira.
O Holter pode dar normal mesmo eu sentindo o sintoma?
Sim, quando os episódios são esporádicos e não ocorrem nas 24 horas do exame. Nesses casos usa-se monitorização mais prolongada ou registradores de evento acionados no momento do sintoma.
Arritmia tem tratamento definitivo?
Algumas sim. Taquicardias por circuito elétrico anômalo e certos focos de fibrilação atrial podem ser tratados por ablação, com alta taxa de sucesso. Outras exigem controle contínuo com medicação e acompanhamento.
Quem tem arritmia pode fazer exercício?
Na maioria dos casos sim, com liberação individualizada. A avaliação define a intensidade segura e se há necessidade de teste de esforço antes de retomar treinos mais intensos.
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Referências
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